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Moita – Magistério de Miguel Moura fez valer a pena

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By Solange Pinto on 24 de Maio, 2026 Crónicas, Destaques
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A Moita e a Daniel do Nascimento, actual e talvez desde sempre a “Jóia da Coroa” da Estremadura, abriram portas à primeira corrida da temporada nesta praça, integrada na Feira Anual desta localidade setubalense.
Com direção correta a cargo do Delegado Técnico Tauromáquico Tiago Tavares, assessorado pelo Médico Veterinário, Carlos Santana, actuaram os cavaleiros João Moura Caetano, Miguel Moura e António Telles filho, com pegas a cargo dos Grupos de Forcados Amadores de Alcochete e Aposento da Moita.
No mesmo dia em que se disputava a Taça de Portugal, o tauródromo registou cerca de meia entrada, se é que isto serve de “desculpa para a morte” e sinceramente, acho que não.

João Moura Caetano abriu praça tendo por diante um toiro que exibiu mobilidade, mas que cedo desenvolveu uma crença em tábuas, exigindo ao toureiro que lhe cuidasse a investida. Depois dos compridos, lidou com o Ouro Negro e Gallo, deixando de forma correta as bandarilhas da praxe.
Para a lide do segundo estava guardada a saída à arena da montada estrela, o Campo Pequeno. Com ele Caetano deu um “cheirinho” do que esta dupla leva dentro, deixando duas bandarilhas de boa nota. A função foi terminada com um toureio mais “à meia volta”, mas, ainda assim cumpridor face às características do oponente.

A Miguel Moura coube lidar o segundo toiro da ordem que em trapio fez clara diferença do seu antecessor mas, que ganhou em contribuição dada. Miguel fez o que bem sabe, ou seja, um excelente primeiro comprido em sorte de gaiola e seguidamente, uma série de bandarilhas de nota elevada, onde a brega de colocação e os remates foram o “prato forte”. Terminou com um palmito de boa nota.
Relativamente ao segundo haverá poucas palavras que descrevam o recital incrível que aconteceu na arena. Uma coisa do outro mundo, toda uma fonte de inspiração para todos os aficionados. Miguel e o seu cavalo “preto” fizeram valer a pena a ida à Moita. Depois de cumprida a ferragem inicial, desde o início ao fim levou consigo o Cunhal Patrício, sempre em longos e templados remates que fizeram o público delirar em sucessivas ovações. Grande toiro, grande toureiro.

Antonio Telles filho lidou o primeiro do seu lote em tom crescente marcando as últimas reuniões de forma mais positiva que as primeiras. No cômputo geral a sua passagem ficou pautada pela regularidade.
Frente ao segundo, um toiro mansote é certo, mas ainda assim, assistiu-se a todo um compêndio de falta de intrusão entre toiro e cavaleiro. Antonio Telles filho deixou a ferragem da ordem como pôde, com muitas passagens em falso e desconexão. O director de corrida concedeu música, o público protestou, facto pouco usual na Moitabe o ginete, mandou silenciar.

Pelo Grupo de Amadores de Alcochete, estiveram na linha da frente Miguel Pargana; Vítor Marques e; Miguel Direito, em consumações à primeira tentativa.

Vestindo a jaqueta do aniversariante Aposento da Moita, pegaram de caras Luís Canto Moniz, ao primeiro intento, brindando aos filhos do cabo fundador Pires da Costa, pelo delicado momento de saúde que atravessa; André Silva, à primeira tentativa e; António Lopes Cardoso, também ao primeiro intento.

Lidou-se um curro de touros da ganadaria de Cunhal Patrício, com peso ajustado e jogo importante no que concerne ao quinto da ordem, lidado magistralmente por Miguel Moura, sendo o granadeiro premiado com volta à arena.

Durante as cortesias cumpriu-se um minuto de silêncio em memória de Augusto Levesinho, também ele da empresa Tauroleve.

Nota: antes do início do festejo foi oferecida uma partitura ao Aposento da Moita do pasodoble que leva o nome da formação, sendo que, como nota negativa, se realça o excessivo pó vindo da arena, deixando tudo e todos incomodados.

Fotos: João Dinis

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