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Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira volta a não atribuir Prémio Tauromaquia

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By Redação on 23 de Julho, 2026 Noticias
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O Prémio Tauromaquia da Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira não será atribuído em 2026, apesar de terem sido apresentadas oito candidaturas. Nenhum dos trabalhos submetidos foi selecionado pelo Conselho de Curadores, repetindo-se o que já havia acontecido nas edições de 2018 e 2020.

A decisão foi anunciada durante a apresentação pública da Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira, realizada no Museu do Neo-Realismo. A edição deste ano recebeu um total de 57 candidaturas, distribuídas pelos três prémios do concurso.

Ao Prémio Bienal de Fotografia foram apresentadas 43 candidaturas, tendo o júri escolhido sete artistas finalistas: Airis Teixeira, João Mendes, Mariusz Klepura, Pedro Gil Mendonça, Pedro Pena, Rodrigo Cardoso e Vasco Rafael Carvalho.

Já o Prémio Concelho de Vila Franca de Xira recebeu seis candidaturas, tendo sido selecionado o trabalho de Filipe Bianchi.

No caso do Prémio Tauromaquia, destinado a distinguir trabalhos relacionados com uma das principais tradições culturais do concelho, as oito candidaturas apresentadas não deram origem à escolha de qualquer finalista. A organização não avançou, durante a apresentação, explicações específicas sobre os motivos que levaram à não atribuição da distinção.

Sérgio Gomes, membro do Conselho de Curadores do Prémio Bienal de Fotografia, considerou que os projetos selecionados para o prémio principal estão “em linha com o que melhor se tem visto” na fotografia contemporânea nacional.

“Há muita qualidade, há muita diversidade, há diferentes discursos sobre uma infinidade de coisas”, afirmou o crítico de fotografia.

Entre os trabalhos finalistas encontram-se propostas de caráter poético e filosófico, projetos centrados no quotidiano e na intimidade, assim como abordagens dedicadas à observação do espaço urbano.

Sérgio Gomes destacou ainda a presença recorrente de temas relacionados com “a tensão entre natureza e cidade, urbanização e construção do território”, considerando que esta é uma característica transversal a grande parte dos portfólios selecionados.

O responsável revelou que a escolha dos sete finalistas foi alcançada com facilidade, devido ao elevado grau de concordância entre os elementos do Conselho de Curadores, do qual fazem também parte Pauliana Valente Pimentel e Sofia Nunes.

“Houve pouca discussão acerca de quem deveria entrar ou ficar de fora, porque reconhecemos muito rapidamente a qualidade destes sete portfólios”, explicou.

Sérgio Gomes manifestou, contudo, preocupação com a reduzida presença de trabalhos de retrato, fotografia documental, reportagem e ensaio fotográfico entre as candidaturas.

“É cada vez mais raro encontrar este tipo de portfólios em prémios de fotografia”, observou.

A BF26 contará igualmente com um programa curatorial concebido por David Santos, diretor científico do Museu do Neo-Realismo, subordinado ao tema “Porque uma ilusão nunca é só uma ilusão. As temporalidades da fotografia contemporânea”.

O programa pretende promover uma reflexão sobre a relação da fotografia com o tempo, através de projetos ligados à memória, transformação, permanência e à forma como as imagens são produzidas e interpretadas na atualidade.

Segundo David Santos, esta reflexão assume maior importância num período marcado pela proliferação de imagens digitais que podem ser alteradas ou manipuladas, aumentando as dúvidas sobre a sua relação com a realidade.

Durante a apresentação foi ainda anunciado que o valor do prémio principal duplicou, passando de cinco mil para dez mil euros. Os prémios Concelho de Vila Franca de Xira e Tauromaquia aumentaram de mil para dois mil euros, embora este último fique sem vencedor em 2026.

A Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira decorrerá entre 21 de novembro de 2026 e 7 de março de 2027. Organizada pela Câmara Municipal desde 1989, é apresentada como o mais antigo prémio de fotografia realizado de forma continuada em Portugal.

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