Todos sabem, mas nunca é demais dizê-lo. Abiul e as suas Corridas integradas nas Festas do Bodo, têm um gostinho especial, sendo uma “coisa” que se tem que viver pelo uma vez na vida. No entanto, digo e sei do que falo, que quem vem uma vez, tem de vir outra, e outra… As gentes sabem receber como ninguém e o público tem uma “exigência esquisita”, que por vezes nos custa a entender mas que “os” torna tão especiais… e diferentes.
O cartel primeiro de três, era composto pelos cavaleiros João Ribeiro Telles, Luís Rouxinol Júnior e Duarte Fernandes. Os três toureiros, juntamente com os forcados de Coimbra (Académicos) e Turlock, colocaram nas bancadas, uma lotação algures localizada entre dois terços fortes e três quartos.
João Ribeiro Telles, o mais antigo ginete em cartel, foi autor de duas actuações com o mesmo conceito, alegre, ritmado e dinâmico, ainda assim, com a ponderação que se aconselha nas boas leituras dos oponentes que teve por diante, nem sempre francos, nem sempre fáceis, mas a “servir”. Boas reuniões, a terminar ambas, com violinos e palmo, tendo que bisar na lide do segundo. Agradou e fez desfrutar.
Luís Rouxinol Júnior protagonizou duas distintas atuações. A primeira delas, mais redonda, variada em sortes, com princípio, meio e fim e sobretudo diversidade de sortes, terminando com um palmito e um par de bandarilhas, ambos de boa nota, ainda que o par, em sorte menos apertada. A segunda, com maior primazia à brega, terminando com um palmo à passagem pelo corredor, resultando na sorte mais cingida de toda a função.
Duarte Fernandes foi o ar fresco da corrida, eventualmente e também por estar menos “visto”, naquele que foi o seu derradeiro compromisso em Portugal antes do seu doutoramento em tauromaquia. Esteve enorme no segundo toiro, lidando o “comboio” do festejo. Exibição dominadora, inteira, com brega a duas pistas e ferros de reuniões concretas e exactas. Terminou dando força e bem, ao conceito de espetáculo, deixando três palmitos de violino, a que o público reagiu e muito, exigindo mais um. Frente ao primeiro havia também estado em grande plano, rematando as sortes em piruetas. Nível máximo, para um público que ficou com o nome Duarte Fernandes na retina.
As pegas foram consumadas pelos forcados dos Grupos Amadores de Turlock e Académicos de Coimbra.
Pela formação vinda do outro lado do Atlântico, Turlock, pegaram de caras Sérgio Tirado e David Santos emefetivações ao primeiro intento e Josef Pereira, à segunda tentativa.
Pelos Académicos de Coimbra, foram na linha da frente Vasco Soares, ao primeiro intento; António Pinto Basto, ao quarto e; Francisco Gonçalves, com o touro mais pesado do festejo (675 quilos), ao primeiro valoroso intento.
Lidou-se um curro de touros da ganadaria de São Marcos, com entrada de dois sobreros, o primeiro para substituir um astado lesionado durante a embolação e outro, para substituir o primeiro touro do lote de Duarte Fernandes. O curro foi irrepreensível em apresentação, sendo a ganadaria indigitada para dar volta à arena após a lide do quinto e do sexto.
O espectáculo foi dirigido pelo Delegada Técnica Tauromáquica Sandra Strecht, assessorado pelo Médico Veterinário, José Luís Cruz.
Fotos: João Dinis

























































































