A Moita viveu nesta terça-feira a sua primeira de três corridas (… e cinco espectáculos) com palco na Praça de Touros Daniel do Nascimento.
O espectáculo integrado nas Festas em Honra de Nossa Senhora da Boa Viagem, foi a célebre “Corrida do Município”, outrora noutro formato, agora mista, dando lugar a um caderno de encargos também diferente em tempos idos. Mudam-se os tempos, mudam-se não vontades mas formatos e é neste festejo que se inclui o toureio a pé.
O público, parte dele “apoiado” pelo Município, preencheu cerca de dois terços da sua lotação para ver um toureiro que é Figura e tem logros importantes alcançados e que sobretudo tem uma tauromaquia distinta e que se afirmou ao longo dos anos, Alejandro Talavante. Compôs o elenco, o mais recente matador de touros português, Tomás Bastos.
O restante cartel, à “nossa moda”, contou com as presenças de Miguel Moura, com touros de António Charrua, para a lide a cavalo e Talavante, para a lide a pé.
Comecemos pelas lides a cavalo.
Miguel Moura esteve em plano de antologia frente ao primeiro touro de Charrua, que sem ser bravo serviu perfeitamente ao toureio de Miguel Moura.
Depois de cravar o primeiro comprido em sorte de gaiola, começou a construir aquilo a que se pode chamar uma obra de arte. Poderio na leitura, na ligação e nos ladeios, com uma brega dentro do conceito mourista mas elevada à qualidade máxima. A penúltima bandarilha curta foi qualquer coisa do outro mundo. Terminou com um palmito e o público rendido.
Frente ao segundo, um toiro de comportamento muito semelhante ao primeiro do lote do toureiro de Monforte, o ginete deu-lhe novamente a lide adequada, adornando-se com toureiria nos remates, depois de sortes magnificamente interpretadas e com ofício nas preparações. A brega foi de nota máxima, pautando-se a vida de Miguel à Moita como completamente justificada e meritória.
As pegas estiveram por conta do Grupo de Forcados Amadores da Moita. Para a cara dos toiros, foram: João Pombinho, em efetivação ao segundo intento e; David Solo, ao primeiro.
Alejandro Talavante chegou à Moita com a aura de Figura que é. Assim esteve, elegantemente vestido de traje mostarda, ouro e azabache e com planta toureira a todo o momento. Bem de capote mas muito melhor de muleta frente ao de Calejo Pires, com passes por ambos os pitons, mas baseando a sua faena na mão esquerda e nos naturais que de resto, interpreta magnificamente.
Frente ao segundo, da ganadaria Talavante, o diestro extremeño mais não pôde que abreviar, depois de mostrar ao público que ali não havia nada. Não maçou os presentes e fica a certeza que por entre os espanhóis que cá pisam, é dos que não quer passar indiferente e não “nos” subestima.
Tomás Bastos enfrentou-se com um primeiro astado de Talavante, andando solvente, com maneiras e voluntarioso, contudo o oponente não tinha recorrido suficiente para que Bastos conseguisse imprimir ligação entre passes. Andou digno, com vontade e agradou a um público que já é o “seu”.
Frente ao segundo do seu lote, desta feita da ganadaria de Calejo Pires, andou melhor, com mais matéria-prima para desenvolver a sua ainda tenra tauromaquia. Começou de joelhos em terra, com passes cambiados pelas costas e deu sequência com séries mais prolongadas e ligadas. Agradou pela variedade e tipo, escutando música justamente.
Bandarilhou com mérito Pedro Paulino “China” saudando montera em mão.
Uma atuação muito boa de Miguel Moura, outra muito boa de Talavante e uma boa de Tomás Bastos fazem a história do primeiro festejo moitense.
O espectáculo foi dirigido pelo Delegado Técnico Tauromáquico Ruben Fragoso, assessorado pelo Médico Veterinário, José Luís Cruz.
Nota: Cumpriu-se um minuto de silêncio em memória de Luís Campino, falecido recentemente.
Fotos: João Dinis































































































