Close Menu
  • Início
  • Editorial
  • Artigos de Opinião
  • Noticias
  • Crónicas
  • Galeria Fotográfica
  • Agenda
Facebook X (Twitter) Instagram
Touro e Ouro
  • Início
  • Editorial
  • Artigos de Opinião
  • Noticias
  • Crónicas
  • Galeria Fotográfica
  • Agenda
Touro e Ouro
Início » Figueira da Foz – O Coliseu onde ainda mora o gaiato

Figueira da Foz – O Coliseu onde ainda mora o gaiato

0
By Redação on 9 de Agosto, 2026 Crónicas, Destaques
Share
Facebook Twitter Reddit Telegram Pinterest Email

Há um par de anos que não estava presente no Coliseu Figueirense, esta que é uma praça que muito me diz e, talvez por isso, esta noite tenha começado a ser pensada ainda muito antes de chegar, algures na memória de um gaiato que passava os verões por Buarcos e que sabia reconhecer a chegada de uma corrida pelo som da carrinha da propaganda. Quando ela passava, havia aquela vontade imediata de lá ir, mesmo que nem sempre fosse possível.

E ontem voltei. E logo numa noite que, ironicamente, teve muito daquilo que são as infâncias: alguma confusão pelo caminho, quedas, mudanças de planos e acontecimentos que ninguém tinha escrito no programa. Marcos Bastinhas, Francisco Palha e Tristão Ribeiro Telles compunham o cartel de cavaleiros, diante de seis toiros do Eng° Luís Rocha, estando as pegas a cargo dos grupos de forcados amadores do Montijo, Académicos de Elvas e Académicos de Coimbra.

Quatro anos depois, Marcos Bastinhas regressava ao Coliseu Figueirense e bastou aparecer na arena, aquando das cortesias, para se perceber que o público não tinha esquecido todo o caminho, por si, trilhado. É um cavaleiro recebido com uma euforia muito própria, daquelas que não se explicam apenas pelo que acontece, mas pelo que foi construindo ao longo dos anos. E Marcos sabe disso. Mais do que isso, sabe tirar partido disso.
No primeiro, encontrou um toiro pequenote, andarilho e algo incómodo, mas com mobilidade e alguma alegria nos primeiros momentos. Esteve bem no primeiro comprido, rematando em redondo, de forma muito cingida, e depois, já nos curtos, teve um daqueles momentos que dizem muito da sua forma de tourear: deixou o toiro persegui-lo ao longo do perímetro da praça, ladeando com ele, num início de série que levantou som nas bancadas. Na cravagem do primeiro curto abriu ligeiramente o quarteio, o que lhe retirou algum brilho, mas o maior problema haveria de surgir logo depois. Após o segundo curto, o toiro começou a evidenciar alguma debilidade física que até aí não era tão evidente, perdeu força e transmissão e, com ele, perdeu também a lide alguma da capacidade de crescer. O ginete percebeu o que tinha pela frente e fez o que melhor sabe fazer: procurou soluções. Terminou com um palmito, mas ficou a sensação de que havia ali mais para fazer se o toiro tivesse aguentado aquilo que prometera nos primeiros momentos.

A segunda passagem pela arena começou de forma menos conseguida. O sobrero de Santos Silva, de cara aberta e que denotou alegria à saída dos currais, não facilitou o labor do toureiro e a lide não encontrou logo o caminho certo. O primeiro curto saiu passado e descaído na colocação. Os seguintes foram corretos, mas o toiro não tinha a transmissão necessária para levar emoção às bancadas.

E aqui entra uma das qualidades de Marcos Bastinhas que não se pode ignorar: é inteligente a ler o que tem diante de si e, sobretudo, a perceber o que tem atrás de si. Com o público a querer vê-lo, com a praça já a pedir qualquer coisa mais, recorreu ao seu registo mais efusivo e foi buscar aquilo que sabe que funciona. O ferro de violino e o par de bandarilhas no corredor tiveram a resposta previsível de uma bancada que estava, desde o primeiro minuto, predisposta a gostar de Marcos Bastinhas. Saiu sob forte ovação, como era natural que acontecesse.

E não há aqui qualquer pecado. Marcos Bastinhas construiu um estilo, assumiu-o e fez dele uma das suas imagens de marca. Não deve, por isso, deixá-lo cair. Mas também não se pode confundir a capacidade de provocar uma reação com a qualidade integral de uma lide. Esteve mal? Não, de todo. Esteve incrível, como a ovação poderia fazer parecer? Também não.
Faltou-lhe, sobretudo, mais consistência nas fases iniciais das séries de curtos, aquele primeiro momento capaz de fazer uma lide crescer em vez de obrigar o cavaleiro a ter de a ir buscar mais tarde. E quando o toiro não ajuda, a dificuldade aumenta. Marcos teve inteligência para dar a volta, e isso também é uma qualidade. Mas para se falar verdadeiramente em triunfo, será preciso que a faena aconteça antes de o recurso ao seu lado mais popular se tornar necessário.

Talvez seja essa a diferença entre ser muito querido pelo público e sair verdadeiramente triunfador de uma praça. Marcos Bastinhas tem a primeira condição há muito conquistada. A segunda, esta noite, ficou apenas pela vontade de quem o recebeu.

Francisco Palha apresentou-se na corrida após um percalço sofrido na véspera mas nem por isso deixou de se exibir com a atitude de quem entra para a arena para dar tudo o que tem. No primeiro, encontrou um toiro distraído, muito ligado ao que se passava entre trincheiras e que, depois da cravagem, se tornava pouco mais que insípido. Aquando da tentativa de cravagem da segunda curta da série bateu ao pitón contrário, mas o toiro saiu da sorte ao procurar o engano e obrigou-o a passar em falso. Francisco percebeu o que estava a acontecer, corrigiu no seguinte e esperou pela investida para o deixar de alto a baixo. Foi, sobretudo, aqui que se viu a maturidade do ginete: percebeu que insistir naquele registo seria pouco mais do que insistir contra aquilo que o toiro lhe estava a dizer e decidiu mudar de montada. Não é um pormenor. Há momentos em que a inteligência de um toureiro está precisamente em perceber que o caminho que tinha idealizado não é aquele que o toiro lhe permite percorrer. Ainda assim a mudança não transformou o adversário. A rês foi perdendo gás à medida que a lide avançava e a sua tarda investida acabou por fazer com que o último curto resultasse passado. Francisco optou por não dar volta à arena, numa decisão que me pareceu inteiramente louvável. Estava autorizado a fazê-lo, mas entendeu que aquilo que tinha acontecido em praça não justificava a recompensa. Num tempo em que por vezes se confunde a volta com uma espécie de direito adquirido, há mérito em saber dizer não a uma distinção quando se entende que ela não corresponde ao que se fez.
O segundo do seu lote era, desde logo, uma proposta difícil de defender no contexto daquela praça: pequeno e de pouca cara, numa apresentação que me pareceu questionável para a tipologia deste Coliseu Figueirense. Também de comportamento curto, não ofereceu muito mais do que aquilo que se viu. Francisco entrou nos curtos com raça, como quem não estava particularmente satisfeito com a noite que levava e o primeiro ferro teve precisamente esse condão de fazer a rês sentir e perseguir a montada com um pouco mais de convicção. A segunda curta foi mais ajustada na reunião e deixou uma nota positiva.

Na terceira da série, o momento da cravagem não saiu como pretendia e sofreu um toque na montada, sem consequências de maior, muito por força da pouca capacidade física do toiro. E foi aí que voltou a subir o tom. Arrimou-se, insistiu e, depois da falha, foi buscar o melhor ferro da sua passagem por este tauródromo: um ferro ao estribo, após uma reunião ajustada, daqueles em que se percebe a vontade de não deixar a noite terminar sem pelo menos um momento que ficasse.

Também não deu volta. Desta vez, porém, a razão era outra e não havia sequer discussão possível: a lesão provocada pela colhida da véspera dificultava-lhe a mobilidade e tornava compreensível que não prolongasse o esforço para além do necessário. Francisco Palha saiu, assim, sem dar qualquer volta mas deixou outra coisa que, para mim, merece ser valorizada: a noção do momento e a maturidade para não forçar aquilo que o toiro não dava, sem nunca deixar de procurar o que ainda lhe podia tirar. Foi uma noite em que se percebeu que queria mais. E talvez por isso mesmo tenha ficado a sensação de que, em condições físicas diferentes e com matéria-prima mais capaz, poderia ter contado outra história.

Tristão Ribeiro Telles encontrou no primeiro do seu lote um toiro que desde cedo não se mostrou fácil de interpretar. Na entrada, teve de provar a investida, algo perfeitamente compreensível na fase de compridos, sobretudo perante uma rês que saiu pouco clara e bastante agarrada ao ruedo. A dificuldade maior surgiria depois, já nos curtos. Uma investida extemporânea surpreendeu-o no arranque da série e Tristão, numa decisão que merece ser valorizada pela vontade de não desfazer a sorte, manteve-se e deixou a curta, embora sem que no momento da reunião tivesse existido o acoplamento ideal. O oponente continuou a mostrar pouca constância na forma como investia e, desta vez, foi pela tardança que obrigou o cavaleiro a passar em falso antes de, logo de seguida, conseguir deixar uma segunda curta de nota razoável. Na terceira curta da série, depois de uma preparação cuidada da sorte, falhou o momento da cravagem e a bandarilha acabou na arena. Na correção, o momento da reunião voltou a ser mal medido, com o animal a adiantar-se de forma brutal, provocando uma colhida aparatosa nos tércios. Valeu, e muito, a sorte de tanto Tristão como a montada terem saído aparentemente sem mazelas de maior.

E talvez seja precisamente nestes momentos que a tauromaquia nos recorda que há coisas que, por muito que se preparem, nunca estão totalmente nas nossas mãos. Tristão voltou à arena para lidar o último da ordem e teve, naturalmente, de voltar a encontrar o seu lugar depois do susto. O início foi algo indefinido, sem conseguir ainda o melhor entendimento com o astado, passando em falso no momento que antecedeu o primeiro curto. No segundo, o momento da reunião foi bom, embora a cravagem tenha ficado traseira. Melhoraria depois no terceiro curto, naquele que acabou por ser o melhor ferro da noite. Entrou pelo toiro e deixou um ferro ao estribo, cravado com mão certeira, num momento em que finalmente pareceu encontrar a sintonia que procurara desde o início.

Foi uma passagem marcada mais pelas dificuldades do que pelo brilho, mas também aqui há que separar o resultado artístico daquilo que foi a capacidade de resposta perante o que a arena lhe foi colocando pela frente. Tristão teve momentos em que não fez as leituras corretas dos terrenos e outros em que a própria inconstância das investidas lhe complicaram o labor. No entanto, voltou depois da queda e procurou fechar a noite de outra forma. E esse ferro, mais do que salvar uma atuação, deixou pelo menos a certeza de que havia ali vontade de não sair da arena sem encontrar uma resposta.

No que respeita aos forcados, a noite começou com uma decisão que me pareceu tão correta quanto necessária. Ao Grupo de Forcados Amadores do Montijo estava destinado Hélio Lopes, mas o toiro que lhe caberia não reunia, naquele momento, as condições mínimas para se pedir a um homem que se colocasse à sua frente. As claras debilidades nas mãos impediam-no de se movimentar com a dignidade exigível e a direção de corrida, bem, mandou recolher o animal. Não houve pega, mas houve bom senso. E, numa noite em que algumas coisas correram longe do previsto, também é importante registar quando quem manda decide não forçar aquilo que não deve ser forçado.

O grupo acabaria por ter apenas uma oportunidade e Manuel Marques tratou de a aproveitar. Pegou o seu toiro ao primeiro intento, numa pega sem grandes sobressaltos, mas onde também se deve destacar a coesão da restante formação, fechando a tentativa de forma segura e permitindo ao forcado resolver a sorte sem que esta ganhasse outras dimensões.

Pelos Académicos de Elvas, Luís Cabral teve pela frente um toiro que, chegado aos médios, lhe consentiu uma investida algo solta. O forcado não se deixou impressionar, esperou e fechou-se na córnea com afinco, enquanto o grupo não lhe permitia veleidades e fechava a pega com segurança à primeira tentativa.

José Pedro Silva teria depois um toiro de investida mais impetuosa e soube aproveitar essa condição. Esteve bem no momento da reunião, fechou-se com decisão e consumou também ao primeiro intento, com aparente facilidade.

Os Académicos de Coimbra encerravam o cartel e Francisco Gonçalves seria o primeiro a avançar, protagonizando, para mim, a pega da noite. Foi ao chegar aos médios que conseguiu ter verdadeiramente o toiro consigo, carregando por duas vezes, encurtando distâncias e tendo a capacidade de aguentar uma investida a ensarilhar. Reuniu em condições e fechou-se como uma lapa, aguentando ainda uma ligeira fuga ao grupo e os derrotes que surgiram quando o toiro sentiu a restante formação a ajudar. Excelente pega ao primeiro intento, com chamada aos médios, num momento de grande serenidade e decisão que justificou plenamente a volta à arena.
Depois, para João Tavares, a noite complicou-se. Na tentativa inicial não teve capacidade para reunir e acabou derrotado de imediato no ruedo. Na segunda, a reunião também não foi a melhor, ficando com um dos pitons entre as pernas, situação que lhe retirou qualquer possibilidade de consumar a sorte. À terceira, já com as ajudas mais carregadas, conseguiu finalmente concretizar.

Com cerca de 85% da lotação preenchida, o Coliseu Figueirense apresentou uma casa bastante composta e um público que, como frisei, estava particularmente disponível para acompanhar os seus ídolos. Mas também aqui houve uma noite em que nem tudo ajudou. O curro de toiros da ganadaria alentejana não proporcionou, na generalidade, matéria-prima capaz de permitir o brilho que se esperava do cartel.

Na direção de corrida, Paulo Valente teve uma noite que me pareceu completamente arbitrária e sem critério, sobretudo na atribuição da música. Houve música ao primeiro curto em todas as atuações, sem que, na minha leitura, tivesse existido uma única lide que o justificasse. E quando se banaliza aquilo que deveria funcionar como reconhecimento de um momento de mérito, a música deixa de valorizar a faena e passa simplesmente a acompanhá-la. A decisão de mandar recolher o toiro que apresentou claras debilidades nas mãos foi, essa sim, uma decisão acertada e responsável. Mas não chega para esconder uma direção que, no restante, me pareceu incapaz de estabelecer um critério coerente para aquilo que ia acontecendo num dos baluartes da tauromaquia portuguesa e que merece outro tipo de respeito.

No fundo, e em jeito de conclusão, o espetáculo teve um pouco daquilo que é a vida e, sobretudo, daquilo que são as memórias de infância: nem sempre saímos com aquilo que esperávamos, mas há lugares a que vale a pena voltar só para perceber que algumas coisas, felizmente, continuam a ser nossas.

Foto e texto: Rodrigo Viana

Please follow and like us:
0
fb-share-icon20
Tweet 20
Pin Share20
Share. Facebook Twitter Pinterest LinkedIn Telegram Reddit Email

Artigos Relacionados

Jet d’Ouro – Na segunda do Campo Pequeno

9 de Agosto, 2026

Colhida impediu Ana Batista de continuar lide em Alpalhão. Toureira é agora observada no Hospital de Santarém

9 de Agosto, 2026

Agenda Taurina – Onde e quando pode ir aos touros em Portugal

8 de Agosto, 2026

Os cartéis de Setembro em Madrid, com toiros Veiga Teixeira e Palha

8 de Agosto, 2026

Ventura a ombros em El Puerto de Santa Maria

8 de Agosto, 2026

Segunda do Campo Pequeno – Triunfou Duarte Fernandes

7 de Agosto, 2026
Pesquisa
Mais recentes...

Figueira da Foz – O Coliseu onde ainda mora o gaiato

9 de Agosto, 2026

Jet d’Ouro – Na segunda do Campo Pequeno

9 de Agosto, 2026

Colhida impediu Ana Batista de continuar lide em Alpalhão. Toureira é agora observada no Hospital de Santarém

9 de Agosto, 2026

Ferrera, Fandi e Escribano a ombros em Azuaga

8 de Agosto, 2026
As nossas redes sociais!
  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram
Touro e Ouro
Facebook X (Twitter) Instagram
  • Contacte-nos
  • Estatuto Editorial
  • Ficha Técnica
  • Início
© 2026 TouroeOuro. Desde 10 de Junho de 2011. Todos os direitos reservados.

Type above and press Enter to search. Press Esc to cancel.