Close Menu
  • Início
  • Editorial
  • Artigos de Opinião
  • Noticias
  • Crónicas
  • Galeria Fotográfica
  • Agenda
Facebook X (Twitter) Instagram
Touro e Ouro
  • Início
  • Editorial
  • Artigos de Opinião
  • Noticias
  • Crónicas
  • Galeria Fotográfica
  • Agenda
Touro e Ouro
Início » Opinião d’Ouro: Em Lisboa, Tiago Tavares disse não. E fez bem!

Opinião d’Ouro: Em Lisboa, Tiago Tavares disse não. E fez bem!

0
By Redação on 27 de Agosto, 2026 Artigos de Opinião, Destaques
Share
Facebook Twitter Reddit Telegram Pinterest Email

Por: Rodrigo Viana

Há corridas em que a dificuldade não está apenas nos toiros ou na capacidade de os lidar. Está também em dirigir. A terceira do abono, no Campo Pequeno, foi uma delas.

Lidaram-se sete toiros da ganadaria do Dr. António Silva, num curro marcado pela mansidão. Alguns ainda tiveram sinais de casta, outros perderam-se completamente. Aos toureiros cabia encontrar argumentos e, na maioria dos casos, não os encontraram. Quem conseguiu resolver a papeleta, teve mérito. Mas não houve matéria para grandes destaques artísticos.

Houve, contudo, um nome que merece ser destacado: Tiago Tavares, delegado técnico tauromáquico.

E merece-o porque, numa corrida destas, teve critério. Não quero ser injusto: a música a Filipe Gonçalves deveria ter surgido ao terceiro curto. Seria, certamente, mais defensável. E, se não desse música no segundo curto a Vasco Veiga, provavelmente já não daria em momento algum da lide. Também é verdade. Mas é precisamente aqui que está o mérito. Estamos a discutir o detalhe. E numa corrida tão difícil de dirigir, isso é uma coisa boa.

A função de um delegado técnico tauromáquico não é agradar à bancada, muito menos aos artistas. É dirigir e fiscalizar o espetáculo dentro das competências que o regulamento lhe atribui, com conhecimento técnico, autoridade e capacidade de decisão. O problema é que, infelizmente, isto está longe de ser regra. O que é verdadeiramente preocupante é a falta de critério de grande parte das pessoas que desempenham esta função. São pessoas que não se conseguem impor, que não assumem a liderança das corridas e que acabam, demasiadas vezes, “comidas de cebolada” por apoderados, artistas e até pelo público.

E aqui há um fenómeno que todos conhecemos.
Dez amigos de um toureiro, bem distribuídos pela bancada, conseguem fazer um barulho que parece uma manifestação de milhares. Gritam música. Insistem. Voltam a gritar. E, se a direção não tiver personalidade, a música acaba por aparecer. Isso jamais pode ser critério. Uma direção de corrida tem de ter autoridade suficiente para ouvir o público sem ser comandada por ele. Tem de saber ouvir os artistas e os seus apoderados sem se deixar pressionar por eles. E tem, sobretudo, de ter conhecimento e personalidade para decidir.
Porque dirigir é decidir. E decidir implica, muitas vezes, dizer não. Tenho criticado muitas vezes a facilidade com que se distribui música e voltas. Ao segundo curto. Às vezes ao primeiro. A uma atuação que simplesmente cumpriu. Como se a banda tivesse de tocar porque está contratada e como se qualquer momento razoável de um toureiro tivesse de ser imediatamente premiado. Não!

A música é um prémio. Não é uma constante.
E uma empresa que contrata duas bandas de música não pode criar a expectativa de que elas têm de tocar só porque foram contratadas. As bandas estão ali para tocar quando a corrida o justificar. Se não houver motivo, não há música. E não há problema nenhum nisso. Aliás, há aqui uma questão que muitas vezes esquecemos: a atribuição de música e de voltas é também uma ferramenta para alimentar a competitividade da corrida.

Se sabemos antecipadamente que qualquer atuação razoável terá música e que qualquer faena terá uma volta, independentemente do que aconteceu na arena, retiramos valor a esses prémios. E, pior do que isso, retiramos tensão à própria corrida. A competição vive também da possibilidade de conquistar aquilo que não está garantido. O toureiro tem de saber que uma volta não é automática. Que a música não está assegurada. Que é preciso fazer mais, convencer mais, superar o que já foi feito. É essa possibilidade que mantém a fasquia elevada e dá significado ao prémio quando ele finalmente surge. Se tudo parece garantido, previsível e monótono, a festa perde importância e interesse. E se tudo merece música, nada merece música.

Tiago Tavares esteve à altura de uma responsabilidade que nem sempre vemos ser assumida. Não acertou necessariamente, para todos os pontos de vista, em todas as decisões e é natural que assim seja, porque estamos a falar de critérios discutíveis e não de uma ciência exata. Mas, acima de tudo, não se deixou transformar num funcionário dos aplausos ou de boquinhas fáceis vindas da trincheira. E isso, numa corrida difícil, merece ser reconhecido.

Porque o problema da nossa tauromaquia não é haver quem decida mal. É haver demasiados responsáveis que parecem ter medo de decidir. Na sexta-feira houve liderança. E, numa praça como o Campo Pequeno, isso vale muito.

Chapeau, Tiago!

Please follow and like us:
0
fb-share-icon20
Tweet 20
Pin Share20
Share. Facebook Twitter Pinterest LinkedIn Telegram Reddit Email

Artigos Relacionados

Sobral de Monte Agraço com destaques para Miguel Moura, Rouxinol Júnior e Tristão Ribeiro Telles

13 de Setembro, 2026

Editorial de Setembro – A Inteligência Artificial

13 de Setembro, 2026

Pedrito de Portugal matou toiro na Moita há 25 anos

12 de Setembro, 2026

Domingo a tradição faz-se no Sobral de Monte Agraço

11 de Setembro, 2026

Exposição assinala 45 anos da alternativa de Victor Mendes em Vila Franca

10 de Setembro, 2026

Eh Toiro’26 leva quatro dias de cultura tauromáquica, música e gastronomia à Chamusca

9 de Setembro, 2026
Pesquisa
Mais recentes...

Sobral de Monte Agraço com destaques para Miguel Moura, Rouxinol Júnior e Tristão Ribeiro Telles

13 de Setembro, 2026

Roca Rey e Marco Pérez a ombros em Salamanca

13 de Setembro, 2026

Ventura a ombros e Fernandes com uma orelha em Albacete

13 de Setembro, 2026

Pérez Mota com susto em Las Ventas

13 de Setembro, 2026
As nossas redes sociais!
  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram
Touro e Ouro
Facebook X (Twitter) Instagram
  • Contacte-nos
  • Estatuto Editorial
  • Ficha Técnica
  • Início
© 2026 TouroeOuro. Desde 10 de Junho de 2011. Todos os direitos reservados.

Type above and press Enter to search. Press Esc to cancel.