O povo português tem duas particularidades curiosas e que diferem em caráter…
A primeira delas é a sua vertente solidária. O português é capaz de engolir sapos e até jogar para trás das costas diferendos, se isso implicar ajudar o “outro” a ultrapassar alguma desgraça. O português é de resto, vocacionado para mimar alguém que se encontre em situação difícil, trágica, triste… é a sua propensão natural para a desgraça, a saudade e tudo aquilo que faça chorar… Na verdade, sejamos francos, ainda que involuntariamente ou sem disso se ter consciência, a má vida do outro, dá-nos força e clarividência para perceber que as nossas queixas são quiçá mínimas perto de outras vidas piorzitas.
A outra particularidade é ter memória curta. Vejamos por exemplo a forma como de quando em vez os portugueses se referem a grandes nomes como Mourinho, Ronaldo e outros génios que por cá nasceram… eram enormes e ao mínimo erro ou deslize, lá vem o “este nunca me enganou”, “já não joga nada” ou “já não ganha nada…”. A memória é curta e é dessa memória que faltou às gentes da Festa para lembrar um dos seus… Luís Miguel da Veiga passou ao lado de Homenagens, de jantares e jantarinhos e o que venha a partir de agora, vem tarde, porque o mal está feito e cheira a remendo…
Os blogueiros que falaram nisto, falaram bem. Com razão, com assertividade. Só que deixaram também clara a intenção de atingir José Maria Charraz… Podiam ter feito o mesmo com a não inclusão do Grupo de São Manços em Lisboa e com o remendo posterior ao criar-se um prémio às três pancadas… Na verdade, que praça deveria ter Homenageado Luís Miguel da Veiga pelo cumprimento do seu 60º aniversário de alternativa? Não seria aquela onde se profissionalizou (Campo Pequeno)?
Isto é mais grave que tudo o resto. É mais absurdo que tudo o resto e mesmo a intenção obscenamente óbvia de atingir Charraz, não justifica a pouca subtiliza ao quase retirar Lisboa desta lista de culpas.
Vamos a Montemor.
Li, reli e entendo a tristeza que todos sentem ao ver o destino de uma praça de touros no coração do Alentejo mas, também percebo que ali, há vários orgulhos feridos. O que falhou para que a porta esteja fechada? Charraz sabe e já o deveria ter explicado publicamente. São dele as mais legitimas justificações. As únicas possíveis. ou não… São também dos proprietários e dos anteriores arrendatários. O que foi feito ao longo dos anos pelos dois últimos, quanto a mim, responsáveis que citei?
Charraz está em modo Luís Neves. Não fala e quando falar, ninguém o levará a sério porque virá tarde. Não se antecipou. Não teve bom aconselhamento (não teve em questão nenhuma…) e não conseguiu prever que no Portugal das Toiradas, “não pagas, não andas… ou andas a ser perseguido pelos blogueiros”. Charraz tem todo o meu respeito por não ceder a pressões, mas Montemor é um caso sério. Mexe com a “casa” de um dos Grupos de Forcados mais importantes do país e o segundo mais antigo de Portugal. Mas e o que fizeram “as jaquetas rubras” em prol da resolução de um problema que todos conheciam? Se fizeram algo, falem agora… expliquem-se também.
Ah e já agora. Não sabem os forcados de agora, porque são “miúdos”, que o Grupo de Montemor teve durante anos, uma encerrona de oito toiros em Setúbal. Ah pois é, pegavam mais touros em Setúbal que na sua “própria casa” e não me lembro de tanta indignação pelo estado “morto” da Carlos Relvas. Aliás, não vi indignação de ninguém. E bolas, era uma praça com uma história… capital de distrito… e tudo o que já sabem.
Moral da história. Memória curta para todos. Início de “aparente” chantagem em modo vigança por não ter pago e… más influências numa Festa que em Portugal está ferida de morte. Inflamar não me parece a decisão mais coerente. Charraz também não se anuncia no TouroeOuro, não o acho brilhante como empresário, mas não é por isso que não o acho um Homem sério, sem cadastro e sem indícios “maléficos” no Ministério Público. E isso, deveria valer!
