Numa reflexão partilhada nas redes sociais, Jacobo Botero mostrou-se impressionado com a forma como a tauromaquia é vivida na Califórnia, onde existe uma forte comunidade portuguesa que mantém uma ligação profunda às tradições taurinas, à criação do toiro bravo e ao cavalo lusitano.
Para o cavaleiro colombiano, os Estados Unidos representam, para muitos profissionais do setor, a concretização de um sonho, não apenas pelas condições financeiras oferecidas, mas sobretudo pelo ambiente vivido nas praças e pelo entusiasmo dos aficionados.
“Uma terra onde muitos sonham estar um dia, um destino onde tantas figuras do toureio aspiram a anunciar-se”, escreveu Jacobo Botero, sublinhando que, mais do que os honorários, que considera superiores aos praticados noutras partes do mundo, existe uma atmosfera difícil de explicar.
O cavaleiro destacou particularmente a forma como foi recebido pelo público norte-americano, considerando a Califórnia “o lugar onde melhor me trataram”, numa experiência que já teve oportunidade de repetir e pela qual se mostrou profundamente agradecido.
Tauromaquia sem sangue e sem morte pode ajudar a preservar a tradição
Um dos pontos centrais da reflexão de Jacobo Botero prende-se com o futuro da tauromaquia e a necessidade de encontrar soluções que permitam preservar esta tradição num contexto de crescente contestação social e de diferentes sensibilidades relativamente ao bem-estar animal.
O cavaleiro reconhece que os espetáculos taurinos sem morte e sem sangue dividem opiniões, mas defende que esta modalidade pode constituir uma alternativa para garantir a continuidade da atividade em determinados territórios.
“Do meu ponto de vista, as corridas sem morte e sem sangue também representam uma alternativa para manter viva a nossa afición em lugares como a Califórnia e o Canadá, onde existem enormes comunidades portuguesas dispostas a fazer tudo o que for possível para preservar as suas tradições e transmiti-las às novas gerações”, afirmou.
Jacobo Botero salientou igualmente que os espetáculos realizados na Califórnia estão sujeitos a mecanismos de fiscalização e acompanhamento por parte das autoridades, referindo a presença de representantes das forças de segurança e de entidades ligadas ao bem-estar animal.
Na sua perspetiva, esta realidade demonstra que é possível procurar modelos de organização que permitam conciliar a continuidade das tradições taurinas com as exigências legais e sociais existentes em diferentes países.
Colômbia é exemplo dos riscos da falta de adaptação
Natural da Colômbia, Jacobo Botero estabeleceu um contraste entre a realidade norte-americana e a situação vivida no seu país de origem, onde considera que a tauromaquia está a desaparecer, em parte devido à incapacidade de acompanhar as transformações da sociedade.
“Enquanto em alguns lugares se procuram fórmulas para que esta tradição possa continuar viva, em muitas outras partes do mundo, como no meu país de origem, a Colômbia, esta arte tão bonita está a desaparecer, em parte pela falta de evolução e de adaptação aos novos tempos”, lamentou.
O cavaleiro considera que o futuro da tauromaquia não tem necessariamente de passar por um modelo único, defendendo antes a necessidade de encontrar soluções ajustadas às diferentes realidades culturais e sociais.
“Talvez não exista uma única maneira de entender o futuro da tauromaquia, mas há uma certeza: se queremos que as próximas gerações possam conhecê-la, senti-la e vivê-la, devemos encontrar caminhos que permitam manter viva a nossa afición e as nossas tradições”, sustentou.
As declarações surgem numa altura em que Jacobo Botero procura retomar a sua atividade nas arenas, assumindo uma posição favorável à evolução da tauromaquia como forma de assegurar a sua continuidade.
Para o cavaleiro colombiano, a experiência na Califórnia demonstra a importância das comunidades emigrantes, particularmente das comunidades portuguesas, na preservação e transmissão da cultura taurina.
“Uma comunidade que dá tudo pela Festa, uma atmosfera fora do comum e, sem dúvida, o lugar onde melhor me trataram”, resumiu, acrescentando que muitos profissionais aguardam toda uma vida por uma oportunidade semelhante.
“Não posso estar mais agradecido por ter tido o privilégio de a viver em mais do que uma ocasião”, concluiu Jacobo Botero.
