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Arruda dos Vinhos – Isto é que foi uma valente toirada!

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By Redação on 17 de Agosto, 2026 Crónicas, Destaques
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A Praça de Touros José Marques Simões, em Arruda dos Vinhos, viveu uma corrida de toiros marcada por uma grande diversidade de acontecimentos dentro e fora da arena. Uma noite exigente, com uma direção de corrida particularmente difícil, vários toiros a apresentarem problemas físicos e uma despedida que poderia certamente ter sido mais impactante de forma a ficar na memória de todos os presentes: Rodolfo Costa deixou a função de cabo do Grupo de Forcados Amadores de Arruda dos Vinhos, entregando a jaqueta ao seu sucessor, Miguel Rodrigues.

O cartel era composto por seis cavaleiros: Manuel Telles Bastos, Gonçalo Fernandes, que substituira João Moura Caetano, Emiliano Gamero, João Salgueiro da Costa, Paco Velasquez e Diogo Oliveira, diante de um curro da ganadaria Fernandes de Castro.

Desde cedo se percebeu que a corrida não seria fácil. Os toiros, criados numa herdade de terrenos bastante arenosos, voltaram a evidenciar uma característica que tem sido recorrente nesta ganadaria, nomeadamente problemas nas unhas, que acabam por condicionar a locomoção dos animais e originar lesões. Não foi, por isso, surpreendente que praticamente todos os exemplares saíssem apalpados das mãos e que alguns acabassem por ter de ser recolhidos antes do final da lide, motivando fortes e compreensíveis protestos entre quem paga bilhete.

O primeiro toiro manteve-se sempre a chouto, nunca se empregando perante Manuel Telles Bastos, dificultando-lhe, por isso, o labor. Passou duas vezes em falso antes de conseguir deixar a primeira bandarilha curta, numa atuação que nunca ultrapassou verdadeiramente o patamar do razoável. Terminou, ainda assim, com a melhor bandarilha da série, cravada ao estribo de alto a baixo.

Por incapacidade física do segundo toiro, a ordem de lide foi alterada, entrando em praça o rejoneador mexicano Emiliano Gamero, que encontrou um toiro com maior mobilidade, mas que progressivamente se foi reservando junto às tábuas. Ainda assim, o animal investia quando lhe pisavam os terrenos. O primeiro ferro curto foi aquele em que o cavaleiro conseguiu desenhar uma trajetória mais frontal, sendo de boa nota. Nos ferros seguintes, apesar dos cites frontais, o toiro adiantou-se à montada no momento da reunião, levando o cavaleiro a exagerar na abertura de quarteio. Fechou a atuação com dois ferros curtos em sorte de violino, adornando-se com levadas nos remates e recolhendo uma ovação do público.

O terceiro toiro foi um flavo, manso encastado, que nem sempre transmitiu com a clareza desejada. João Salgueiro da Costa não teve uma noite particularmente inspirada, alternando ferros de marca própria com algumas passagens em falso que acabaram por retirar som à sua atuação. O terceiro curto da série foi aquele em que conseguiu maior acoplamento na reunião, deixando uma sorte de boa nota e conquistando a concessão de música. Com a lide em crescendo, Salgueiro da Costa teve de se aproximar e pisar os terrenos de um toiro já fechado em tábuas e pouco disponível para responder aos cites. Fê-lo com coração, saindo num palmo de terreno e deixando mais um ferro de relevante nota.

O quarto toiro saiu tocado e Paco Velasquez deixou o primeiro comprido perante um coro de assobios das bancadas, em protesto contra a decisão da cravagem. Deixou dois compridos, após os quais o animal foi recolhido e dado como lidado, sem ser pegado, de acordo com o Regulamento dos Espetáculos Tauromáquicos. Importa recordar que, tratando-se de uma praça de terceira categoria, apenas existe um sobrero, que já estava destinado ao cavaleiro Gonçalo Fernandes, que viria a fechar a corrida.

Diogo Oliveira teve por diante outro toiro que nunca chegou verdadeiramente a empregar-se. Sentiu algumas dificuldades na fase inicial, tentando deixar a primeira curta, mas abrindo demasiado o quarteio e passando em falso. Corrigiu imediatamente o momento da reunião e conseguiu um ferro que lhe valeu música por parte da inteligência. Logo de seguida voltou a passar em falso e viveu um valente susto junto às tábuas, quando procurava que lhe fosse facultado mais uma bandarilha, tendo o toiro investido de forma comprometida, obrigando o binómio a escapar-se num palmo de terreno.
Depois se cravado o terceiro da série, o toiro aparentou lesionar-se, havendo inicialmente um toque de recolha da rês. Face aos apupos do público, aos gritos dos elementos do grupo de forcados e à pressão da empresa, a inteligência permitiu a tentativa de pega ao animal.

O sobrero destinado a Gonçalo Fernandes também saiu apalpado, provocando fortes protestos nas bancadas. Ainda assim, o cavaleiro de Seia iniciou funções deixando dois compridos regulares. Na fase de curtos começou com uma passagem em falso, fruto da pouca proximidade no momento da reunião e também da apatia do animal. A cravagem seguinte não foi a ideal, faltando maior cingimento na reunião. Após a terceira curta, Gonçalo Fernandes convidou Paco Velasquez a partilhar consigo a arena, momento que resultou positivamente para o público que preenchia na totalidade as bancadas do tauródromo arrudense. Depois da cravagem, Velasquez protagonizou ainda um remate da sorte, ladeando com muita proximidade, chegando com som às bancadas.

No que respeita às pegas da noite, iniciou funções pelo grupo local, Tiago Pombo. Teve o mérito de reunir com eficácia e, pese embora, não tenha contado com a melhor das ajudas dos elementos que o acompanhavam, o toiro derrotou ligeiramente e seguiu o seu caminho, permitindo a correção das ajudas e a consumação logo à primeira tentativa.

Rodrigo Gonçalves avançou para além dos médios, sabendo que tinha pela frente um toiro pronto de investida. Ao carregar, o animal fez um estranho, mas o jovem forcado teve capacidade para aguentar, fechar-se com garbo e mostrar categoria. A primeira ajuda esteve muito bem, mas o restante grupo não conseguiu acompanhar o mesmo nível. Foi necessária a entrada em arena de mais de 14 forcados para que a pega acabasse por ser consumada na tentativa inicial, circunstância que retirou algum brilho ao desempenho do forcado da cara.

Martim Alves teve de citar a uma distância inferior a um metro do toiro para lhe conseguir provocar a investida, algo que poderia ter sido evitado e que só não acabou em azar porque o animal colocou a cara sem derrotar de forma suficientemente violenta. Na restante formação, a prestação foi mais segura, permitindo nova consumação ao primeiro intento.

A pega seguinte ficou marcada por um dos momentos mais polémicos da noite. Perante a decisão inicial da inteligência, verificou-se uma desautorização pública e gritante, quer por parte dos forcados, quer por parte da empresa, que se manifestaram contra a decisão da direção. Por tudo isto, o diretor acabara por ceder e permitir a tentativa de pega.

O grupo tentou inicialmente uma pega de cernelha. Mas, tendo em conta que o animal nunca encabrestara e depois de uma primeira entrada, optaram por tentar a pega de caras, através de Hélder Silva. Após uma reunião por alto, o grupo não teve capacidade para se fechar, permitindo ao forcado da cara sofrer uma aparatosa voltareta já junto às tábuas.
A efetivação acabou por acontecer na segunda tentativa nesta modalidade, mas com treze elementos dentro do ruedo. Um episódio que deixou naturalmente críticas e levantou questões sobre a autoridade da direção de corrida, sobretudo perante a pressão exercida desde o interior da arena.

A última pega da noite tinha, porém, um significado especial. O novo cabo, Miguel Rodrigues, assumiu a responsabilidade de fechar a noite, tendo como primeiro ajuda precisamente o homem que, durante anos, liderou os Amadores de Arruda dos Vinhos: Rodolfo Costa.

Foi uma pega em que a reunião, não sendo perfeita, se revelou eficaz. A primeira ajuda surgiu em bom momento e permitiu culminar da melhor forma possível uma noite que ficaria marcada pela passagem de testemunho.

Depois da pega, chegou o momento que se sabia antecipadamente poder marcar a corrida, embora não tenha ocorrido da forma expectável. Rodolfo Costa despiu a jaqueta de cabo e entregou-a a Miguel Rodrigues, encerrando assim um capítulo da história do Grupo de Forcados Amadores de Arruda dos Vinhos e iniciando-se oficialmente uma nova etapa.
Entre aplausos e emoção entre as gentes da terra, a praça assistiu à despedida de um cabo e à apresentação daquele que passa agora a assumir a liderança do grupo.

Esta valente toirada foi dirigida pelo delegado técnico tauromáquico Ruben Fragoso, assessorado pelo médico veterinário Dr. José Luis Cruz e pelo cornetim José Henriques.

Fotos e Texto: Rodrigo Viana

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