Num dia exatamente como o de hoje, mas de há 15 anos atrás, nasceu o TouroeOuro.
Não foi concebido em Santarém, não nasceu em Coruche, terra natal do João Dinis, ou em Setúbal, cidade onde vivo, mas foi em Santarém que veio ao mundo, num dia 10 de Junho, com a cidade escalabitana a ser protagonista das Comemorações do Dia de Portugal.
Nesse dia tudo se conjugou. A importância residia ali. A força de uma nação, a resiliência dos portugueses, estava ali… com Aníbal Cavaco Silva como Presidente da República Portuguesa e João Pedro Bolota no “comando” da Celestino Graça, o país era claramente distinto… Paralelismos impossíveis de traçar, mas mudanças impossíveis de não as citar.
Naqueles tempos distintos, o Presidente da República era sinónimo de “distanciamento” eventualmente saudoso, eventualmente adequado até nos dias de hoje, onde as permissividades são exageradamente obtusas… Naquele tempo, o empresário da maior praça de touros do país, era criticado por “no Dia de Portugal “roubar” protagonismo luso aos elencos. Mas deu importância ao tauródromo e naquele tempo, a Celestino Graça, esgotou… Esgotou numa altura em que o Campo Pequeno tinha abastada temporada e o calendário taurino vivia de um maior número de festejos. Mas esgotou! Esgotou com o apoio de Santarém e da sua autarquia (hoje não é diferente…), esgotou sem que se tivessem que “impingir” bilhetes às empresas da região… esgotou! Com a força de quem? Das figuras! E do público!
Num dia tal como o de hoje, vivíamos num Portugal muito mais livre que agora. Éramos felizes, tínhamos o sonho de que o toureio vencesse todas as barreiras, de que os anti-taurinos não tivessem expressão maior, como na verdade não têm e não tínhamos sequer o pesadelo de que certas praças fossem cair sem que a intervenção dos taurinos se fizesse sentir.
Num dia tal como o de hoje, tínhamos muito mais que agora, tínhamos Póvoa de Varzim, Setúbal, Albufeira… Tínhamos empresários. Tínhamos gente de peso que dava a cara pela tauromaquia. Num dia tal como o de hoje, começava a proliferação de fotógrafos, motivada pela digitalização dos equipamentos, onde todos ousavam captar imagens. Mas num dia tal como o de hoje, esses fotógrafos reportavam as suas imagens em órgãos de comunicação e não apenas nas redes sociais dos intervenientes. Num dia tal como o de hoje, a opinião dos críticos eram mais consistente e fundamentada. Hoje, a crítica é criticada e anda ao sabor de duas coisas: subvenções e/ou, medo!
Num dia tal como o de hoje, as opiniões eram castradas cara a cara, agora, chegam virtualmente…
Num dia tal como o de hoje, não tínhamos ainda perdido tantas e tantas personagens de valor, quer na área da crítica, da fotografia, do empresariado taurino, cavaleiros, forcados, ganadeiros…
Num dia tal como o de hoje, tínhamos amigos que ficaram para vida. Uns estão, outros já não estão entre nós e outros ainda travam batalhas difíceis…
O que ficou? Tantos e tantos momentos felizes. O que virá? O mesmo de sempre, força, vontade, resiliência, orgulho… Até que haja tauromaquia, haverá Solange, haverá João Dinis, haverá Rodrigo, haverá TouroeOuro!
