Não foram dias fáceis e embora não sendo inédito, a verdade é que o avanço dos tempos e a rapidez na comunicação, nos colocaram a todos a viver as “Cheias de Alcácer” quase em tempo real… as cheias durante e depois…
Vimo-las, mas não as sentimos. Vimo-las, mas não vivemos hoje à espera da resposta governamental que teima em não chegar. Vimo-las, mas não entendemos como lutam os homens criando problemas, se é Deus que põe e descompõe sempre que quer…
O TouroeOuro esteve em Alcácer do Sal, numa praça de touros que é icónica e que embora habituada a “água”, foi uma das protagonistas de imagens impactantes.
Não importa quem fez a corrida benéfica para uma causa que deveríamos todos entender “sem mais…”. Não importa os mentores, os artistas e muito menos as supostas sabotagens. Importa que Alcácer esteve de portas abertas, com casa ESGOTADA e importa que as gentes, juntas, unidas, são sempre mais fortes.
Na Praça de Touros João Branco Núncio, a mesma que o Mestre, esteja onde estiver, teima em não deixar cair, pois que há coisas que nós, os terrenos não conseguimos entender, mas que as há, há… fizeram-se 41.613 Euros e disso, rezará a história.
O elenco foi composto por Rui Fernandes, Diego Ventura, Gilberto Filipe, Filipe Gonçalves, João Ribeiro Telles e Duarte Fernandes, acompanhados das respetivas quadrilhas e Grupos de Forcados Amadores de Montemor e Lisboa. Todos solidários, importa referir… Ao intervalo entregou-se o “cheque símbolo” da solidariedade a Clarisse Santos, Presidente da Câmara de Alcácer do Sal e todos, mas mesmo todos saíram satisfeitos de um espectáculo com grande ambiente.
Lidaram-se reses de São Marcos, Maria Guiomar Cortes de Moura, Herdade de Camarate, Santa Maria, David Ribeiro Telles e Romão Tenório. Nota para o facto do toiro de David Ribeiro Telles ter sido devolvido aos currais por complicações na locomoção, saindo um sobrero da Herdade de Camarate.
As duas atuações mais destacadas estiveram a cargo de Diego Ventura e Duarte Fernandes. Ambos em conceitos “que são os seus”, mas donos dos acontecimentos, bem nas conceções, na forma e conteúdo. Diego deixou dois ferros com forte entrada ao piton contrário, que pararam os corações, terminando com três palmitos “al violin” e Duarte, em toda uma lide bem desenhada e que provou estar a anos luz dos seus demais companheiros destas e de outras lides. Ferros de enorme valor, remates a duas pistas e piruetas ajustadas.
Rui Fernandes perseguiu ambos no bom tom da sua prestação, vindo apenas e tão-só ligeiramente a menos devido à também vinda a menos do seu oponente. Ainda assim, foram soberbos os momentos oferecidos pelo mais antigo cavaleiro em cartel.
Gilberto Filipe andou benzinho, tendo a dificil tarefa de lidar logo após o reboliço que é Diego Ventura. Fez o “seu jogo”, terminando sem a cabeçada.
Filipe Gonçalves entremeou momentos arrojados com outros mais banais, com o toiro também claramente “gasto” aquando da cravagem do par de bandarilhas com que encerrou a sua prestação.
O menos sortudo da tarde/noite, foi João Ribeiro Telles, vendo o seu toiro ser devolvido, vindo um outro da Herdade de Camarate que não permitiu muito. Optou por não dar volta à arena.
As pegas foram asseguradas pelos forcados de dois dos grupos mais prestigiados do país: Montemor e Lisboa.
Pela formação de Montemor, foram na linha da frente Ricardo Batista, à segunda tentativa; Manuel Carolino, à terceira e; Miguel Cecílio, ao segundo intento.
Pelo grupo da capital, Lisboa, pegaram de caras Miguel Santos, numa concretização ao segundo intento; Miguel Nascimento, ao terceiro intento e; Miguel Braga, à terceira tentativa.
O festejo será dirigido pelo Delegado Técnico Tauromáquico António Santos, assessorado pelo Médico Veterinário, Carlos Santana.
Nota ainda para o facto do espectáculo ter decorrido com as duas bandas filarmónicas de Alcácer do Sal.
Fotos: João Dinis



































































































