Santarém e a sua Celestino Graça são um marco incontornável na temporada portuguesa, sobretudo os espectáculos que se inserem na Feira Nacional da Agricultura.
A primeira de duas corridas agendadas para o tauródromo escalabitano, juntava em cartel três nomes significativos da tauromaquia portuguesa: João Moura Caetano, Marcos Bastinhas e Francisco Palha.
Com a lotação a localizar-se algures entre a meia casa forte e os dois terços de entrada, houve, em Santarém um nome maior que os demais: Marcos Bastinhas.
Mas comecemos pelo início.
João Moura Caetano lidou um exemplar de Torre Onofre e outro da ganadaria de António Silva. Quanto a este último, nada houve a fazer perante tão denunciada mansidão, evidenciada desde os seus primeiros momentos na arena. Frente ao primeiro, um jabonero de bom tipo, andou bem, com temple e cadência, deixando constância do seu toureio suave. Bons curtos, rematados com gosto, ainda que de quando em vez faltasse ao oponente “aquela” transmissão.
Marcos Bastinhas lidou um primeiro toiro da ganadaria de Oliveira Irmãos. Grande toiro, com capacidade de investir com alegria, som e movimento em todos os terrenos. Marcos desde que o foi receber à porta gaiola deu-se conta de que tinha toiro para brilhar e aproveitou tudo. Fiel ao seu conceito alegre, deixou enormes compridos e fabulosos primeiros curtos, a dar todas as vantagens ao soberbo Oliveira. Terminou com dois palmitos e um par de bandarilhas à meia volta, mas, atenção, Bastinhas esteve bem de verdade.
Frente ao segundo, um astado da ganadaria de Mata-o-Demo, Marcos viveu momentos de apuro pelo facto da sua montada ter escorregado, chegando o toureiro a cair ao solo, provocando momentos de angústia, afortunadamente sem consequências. O toureiro voltou a montar, levando a efeito uma atuação novamente ritmada, com ferros de boa nota e epílogo num palmito. Rematou as sortes com piruetas ajustadas que fizeram as delícias do público.
Os deuses estiveram com Marcos Bastinhas, numa tarde abençoada para o toureiro alentejano.
A Francisco Palha tocou inaugurar a sua passagem por Santarém com um toiro de Canas Vigouroux, com escassez de qualidade e que de quando em vez também procurava tábuas, sem transmissão e sem fundo. Palha fez o que pôde e fe-lo bem, deixando algumas bandarilhas de bom nível, ainda que com alguma dificuldade em passar emoção ao conclave. Cumpriu de boa forma.
Frente ao segundo, um astado de Santa Maria que veio muito menos ao longo da função, Palha andou bem e colocou tudo o que o toiro não tinha, procurando sempre terrenos mais “tremendistas” de forma a imprimir emoção à sua derradeira passagem pela arena.
As pegas, decorreram como de resto é habitual nesta data, em modo encerrona destinada ao Grupo de Forcados Amadores de Santarém.
Para a cara dos toiros, foram os forcados Francisco Graciosa, cabo da formação, consumando ao primeiro intento; Salvador Ribeiro de Almeida, também à primeira tentativa; João Faro, à segunda; Manuel Ribeiro de Almeida e Francisco Paulos, de cernelha; Francisco Cabaço, ao primeiro intento e; Joaquim Grave, à primeira, brindando ao Presidente da Câmara Municipal de Santarém, João Teixeira Leite.
E porque era uma corrida concurso de ganadarias, lidaram-se por esta ordem, reses de Torre Onofre, Oliveira irmãos; Canas Vigouroux, Dr. António Silva, Mata-o-Demo e Santa Maria, disputando um prémio para o melhor toiro em praça, destinado ao toiro de Oliveira Irmãos, sendo o júri composto pelos elementos da Associação Sector 9.
O festejo foi dirigido pelo Delegado Técnico Tauromáquico Manuel Gama, assessorado pelo Médico Veterinário, José Luís Cruz.
Fotos: João Dinis











































































