As Festas do Colete Encarnado são as mais icónicas de Vila Franca e em concreto da Palha Blanco. O público que preencheu cerca de dois terços de entrada esteve bem na sua quota parte de responsabilidade no espetáculo, aguentando estoicamente o fortíssimo calor que se fez sentir na cidade à beira rio Tejo.
Hoje esse público, tinha a responsabilidade de medir e pensar reações, alinhar perdões, avaliar mais que uma tarde, uma carreira. Assim foi com João Salgueiro a quem o público acarinhou e sobe respeitar desde o primeiro momento, perdoando os erros, as lacunas. A primeira atuação da tarde foi o que foi, com apontamentos positivos, outros nem tanto… Exibição sem música e sem volta.
Mas porque de Salgueiro sempre foi o tudo ou nada, eis que frente ao quarto a aura mudou e os astros estiveram a favor de todos nós. Salgueiro rubricou uma atuação das dele, de genialidade, de valor, de inspiração e de diferença. Frente ao mais pesado toiro da corrida, deixou poucos, mas soberbos curtos, com as suas paradinhas imponentes e aquele je ne sais quoi de Salgueiro.
Volta em apoteose e emoção.
Moura Júnior chegou a Vila Franca para triunfar. Precisou apenas de trazer vontade e demonstrou isso mesmo com o primeiro bom comprido em sorte de gaiola e os restantes curtos a elevar o nível, com boas execuções e bons remates. Bem e o público a reconhecer com justiça.
Frente ao segundo, a cereja no topo do bolo. Um toiro de bandeira, bravo à séria e daqueles que qualquer toureiro quer sortear. Bem moura a saber entender que ali tinha uma pérola. Ferros do outro mundo. Um melhor que o outro e assim sucessivamente. O penúltimo foi de antologia. Grande atuação com volta também para o toiro e depois, para o ganadeiro.
As pegas estiveram a cargo do Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca naquilo que foi uma grande exibição. Para a cara dos toiros foram Guilherme Dotti com uma enorme, gigante pega ao primeiro intento; Miguel Faria, Rodrigo Andrade e Rodrigo Camilo, também à primeira tentativa.
E porque o festejo era misto, apresentou se em Vila Franca, o diestro Borja Jiménez.
Toureiro de recursos técnicos indiscutíveis, foi deles que fez uso na arena da Palha Blanco. Com maior relevância e importância na muleta, com séries por ambos os pitons, a obrigar e nessa matéria, tudo ok.
Frente ao segundo, outra passagem séria mas sem alardes de triunfo que se recorde daqui a algum tempo. Digno sim, histórico não. começou de joelhos em terra, com largas afaroladas, seguindo bem de capote, vistoso. De muleta outra vez a técnica a suplantar as dificuldades.
Nas bandarilhas correção por parte da quadrilha, mas com principal destaque para João Ferreira, autor de dois pares de destaque.
Lidaram-se touros de Condessa de Sobral, bem apresentados no geral e alguns de jogo muito favorável ao desempenho da terna. O quarto bom e o quinto, bravíssimo, a motivar volta para o toiro e posteriormente para o seu criador.
O espectáculo foi dirigido pelo Delegado técnico Tauromáquico Rúben Fragoso, assessorado pelo médico veterinário, João Costa.
Fotos: João Dinis





































































