A tradicional corrida da Quinta-feira da Ascensão, na Chamusca e pese embora a diminuta lotação do tauródromo, foi todo um caso de sucesso de bilheteira, sobretudo se em conta tivermos o “elevadote” preço dos bilhetes e que foi gerando debates diversos nas redes sociais. Praça cheia à vista e grande ambiente no coração do Ribatejo.
O cartel, composto por dois cavaleiros de alternativa e um praticante, tinha o aliciante de conter por entre os seus predicados, os dois grupos de forcados da terra e um ginete da localidade vizinha, com raízes na região, Vasco Veiga.
Uma coisa é certa, foi uma Ascensão diferente, com uma segunda parte de grande nível e no geral, uma entretida tarde de toiros.
João Salgueiro da Costa abriu a tarde de forma agradável, não cometendo excessos, nem erros. Boas sortes, bom conceito de lide e destaque para dois dos curtos deixados com muita verdade.
No segundo, a inspiração foi todavia, maior. Bem nos compridos e nos curtos, cada ferro, cada hino à essência do toureio equestre, sem imitações e clonagens, com entradas retas, com emoção, sem barulhos e/ou agitações desmedidas e desnecessárias… E quando assim é, acontece o triunfo para aficionados!
Tristão Ribeiro Telles rubricou uma primeira atuação com muito som, mexida, comunicativa… Ladeios e ferros com batida ao piton contrário marcaram a sua primeira passagem pela arena chamusquense.
Na lide do quinto toiro da ordem, um excelente toiro que se deixou na perfeição, Tristão esteve em muito bom plano, aproveitando o “som” do oponente, rubricando uma exibição redonda, com ferros de muito boa nota e por isso, o público “exigiu” que desse duas voltas à arena. Este foi um triunfo de simpatia, cor, luz, sons e ritmo.
Vasco Veiga apresentou-se bem na ferragem inicial, sendo que em bandarilhas veio a menos, evidenciando alguma irregularidade, numa actuação sem música. Alguma incoerência por parte da direção de corrida ao conceder volta à arena, ainda assim não dada pelo toureiro.
Frente ao segundo, houve mais Vasco Veiga, com uma prestação que no computo geral foi interessante, marcando aqui sim, posição.
As pegas estiveram por conta das duas formações da casa.
Pelos Amadores da Chamusca, pegaram o cabo Diogo Marques, ao primeiro intento; Francisco Rocha; ao segundo e; Miguel Santos, ao primeiro intento.
Pelo Aposento da Chamusca, foram na linha da frente Vasco Coelho dos Reis, à primeira tentativa; Miguel Crespo, à terceira e; Francisco Barreiros de Andrade, ao primeiro intento.
Com o júri composto pelos dois anteriores cabos dos dois grupos da Chamusca e por João Lucas, os prémios em disputa, foram entregues da seguinte forma: Melhor Grupo, para os Amadores da Chamusca e, Melhor Pega, para o Vasco Coelho dos Reis, do Aposento da Chamusca.
Lidou-se um curro de touros da ganadaria Oliveiras, Irmãos, rematado dentro da tipologia da praça em questão e que deu importante contributo para o sucesso do espetáculo. O ganadeiro foi mesmo chamado à arena após o término da corrida, recolhendo a justa ovação do público.
O festejo foi dirigido pelo Delegado técnico tauromáquico Marco Cardoso, assessorado pelo Médico Veterinário José Luís cruz.
Fotos: João Dinis































































